Resultado da Busca

John Wayne – Filmes em 1949

6 de Setembro de 2010


Foram lançados em 1949 nos EUA quatro filmes de John Wayne.

Joanne Dru e John Wayne em Legião Invencivel

Joanne Dru e John Wayne em Legião Invencivel

•    A LEGIÃO INVENCÍVEL (She Wore a Yellow Ribbon). Direção de John Ford. Produtores: John Ford & Marian C. Cooper. Argosy Production. Distribuição: RKO. Techicolor. Com Joanne Dru, John Agar, Ben Johnson, Harry Carey Jr, Victor McLaglen, Mildred Natwick, George O’Brien. Data: 28 de julho.
•    O RASTRO DA BRUXA VERMELHA (Wake of the Red Witch). Direção de Edward Ludwigh. Produtor: Edmund Grainger. Produção & Distribuição: Republic. Com Gail Russell, Gig Young, Adele Mara, Luther Adler, Eduard Franz. Data: janeiro.

Jonh Wayne e Gail Russell em O Rastro da Bruxa Vermelha

Jonh Wayne e Gail Russell em O Rastro da Bruxa Vermelha

•    THE FIGHTING KENTUCKIAN – Direção de George Wagger. Produtor: John Wayne. Produção & Distribuição: Republic. Com Vera Ralston, Philip Dorn, Oliver Hardy, Marie Windsor, John Howard, Hugo Haas. Data: 15 de setembro.
•    IWO JIMA, O PORTAL DA GLÓRIA (Sands of Iwo Jima). Direção de Allan Dwan. Produtor: Edmund Grainger. Produção & Distribuição: Republic. Com John Agar, Adele Mara, Forrest Tucker, Arthur Franz, Julie Bishop. Data; 14 de dezembro.

Tags:


JOHN FORD – 31 de agosto de 1973

3 de Setembro de 2010


SAUDADE – Segundo o seu mais meticuloso biografo, Peter Bogdanovich, que também é (bom) diretor, John Ford resmungou, no leito de enfermo: “Alguém tem um charuto?” Fumou, apagou, fechou os olhos – e morreu.
Morreu? Não acredito, pois, assim como as histórias do Velho Oeste, também em relação a John Ford é impossível separar a lenda da verdade. Até sobre a data de nascimento (1895) e o nome de batismo, há divergências.
A suposta morte do criador de “No Tempo das Diligências” teria ocorrido na tarde de 31 de agosto de 1973. Há, porém, quem sustente que foi visto pela última vez entrando na diligência que o levaria para o lugar onde permanece. Como nos registros dos soldados cujos corpos não são localizados nos campos de batalhas, seria preferível que o nome dele, em vez da coluna de obituários, figurasse na de desaparecidos.
Uma vidente avisa: John Ford foi visto no palácio de São Pedro jogando pôquer com John Wayne, Ward Bond, Thomas Mitchell e Moniz Vianna: Adaptado as palavras de um dos seus personagens, lembro: homens como John Ford não morrem! Permanecem vivos em nossas memórias e nos filmes que fez. (Valério Andrade).

Tags:


Morreu o diretor ARY FERNANDES

30 de Agosto de 2010


Morreu ontem, 29 de agosto, em São Paulo, aos 79 anos de idade, o ator, diretor, produtor Ary Fernandes (foto), criador das séries de TV “Vigilante Rodoviário” e “Águias de Fogo”. O verbete biográfico postado é de autoria do pesquisador cinematográfico Antônio Leão.

*****

Nasceu em São Paulo, SP, em 31 de Março de 1931. Começa sua carreira no rádio, como locutor e rádio-ator. Sempre interessado pela parte técnica do cinema, começa a trabalhar nos estúdios da Maristela. Em 1952, Alberto Cavalvanti lhe dá a primeira grande oportunidade, como assistente de direção nos filmes ‘O Canto do Mar’ e ‘Mulher de Verdade’. Depois disso, assume cargos importantes nas produções da companhia. Em 1958, junto com Alfredo Palácios, cria a série ‘O Vigilante Rodoviário’, um dos maiores êxitos da televisão brasileira de todos os tempos. Em 1967 cria outra série, ‘Águias de Fogo’, sem o mesmo sucesso. Passa então a se destacar como produtor/diretor, em filmes como ‘Uma Pistola Para Djeca’ (1969), ‘O Supermanso’ (1974), ‘Orgia das Libertinas’ (1980) etc. Como ator, participa de muitos filmes, com destaque para ‘Quem Matou Anabela?’ (1956), ‘O Supermanso’ (1975) e ‘Tortura Cruel’ (1980). Por conta de um AVC – Acidente Vascular Cerebral, está afastado do cinema. Casado com Ignez Peixoto Fernandes desde 18 de Janeiro de 1958, tem dois filhos, Fernando e Vânia. Em 2006, sua vida foi contada no livro ‘Ary Fernandes, Sua Fascinante História’, de Antonio Leão da Silva Neto, pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Filmografia: (ator): 1956- Quem Matou Anabela?; 1958- Vou Te Contá; 1969-Águias em Patrulha (episódios da série ‘Águias de Fogo’); 1970- Sentinelas do Espaço (episódios da série ‘Águias  Fogo’); 1974- O Leito da Mulher Amada; Sedução (Qualquer Coisa a Respeito do Amor); 1975-O Supermanso; 1976- Quando Elas Querem…  e Eles Não; 1980- Tortura Cruel (Fêmeas Violentadas).

Filmografia: (diretor): 1957- Um Peão Para Todo Serviço (CM); 1961/62: Vigilante Rodoviário (série com 38 episódios); 1962- O Vigilante e os Cinco Valentes; O Vigilante Contra o Crime; 1965- O Mistério do Taurus 38; 1967- O Vigilante em Missão Secreta; 1966/67- Águias de Fogo (série com 26 episódios); 1969- Águias em Patrulha (episódios da série ‘Águias de Fogo’); 1969- O Agente da Lei; 1969- Uma Pistola Para Djeca; Sentinelas do Espaço (episódios da série ‘Águias  Fogo’); 1970- Marcado Para o Perigo; Mágoas de Caboclo; 1971- Até o Último Mercenário; 1972- Pânico no Império do Crime; Jeca e o Bode; 1974-  Supermanso; Il Domestico (segmento brasileiro) (Itália); 1975- Quando Elas Querem… e Eles Não; 1976- Guerra é Guerra (episódio: Núpcias Com Futebol); 1977- As Trapalhadas de Dom Quixote & Sancho Pança; 1978- O Vigilante Rodoviário (nova versão); 1979- Sexo Selvagem; Essas Deliciosas Mulheres; 1980- Orgia das Libertinas; 1981- Cassino dos Bacanais; 1982- As Vigaristas do Sexo; A Fábrica de Camisinhas; 1983- Taras Eróticas; Elas Só Transam (Elas Só Transam no Disco).

Tags:


Antônio Barreto Neto - Critico de Cinema da Paraíba

30 de Julho de 2010


CINEMA POR ESCRITO
O cinema não é somente a única arte onde as folhas das árvores se mexem, é também a arte que a gente pode desfrutá-la em companhia de amigos e mestres. Mestres? Sem dúvida, pois eles nos são indispensáveis. Sem eles, o vício da imagem-movimento não correria como larvas vulcânicas em nossas veias. Para viajar por obras complexas como as de Stanley Kubrick, John Cassavetes, Orson Welles, Godard, Bergman, Chaplin, Luis Buñuel, Antonioni e outros patamares, a interlocução se faz essencial. Antônio Barreto Neto (foto), em João Pessoa , Berilo Wanderley na “Tribuna do Norte” de Natal, Celso Marconi e Fernando Spencer em Recife são, para ficar aqui, em nossa região, alguns desses guias que se converteram em referências para uma nova geração de intelectuais, hoje, em plena atuação na vida cultural do país.
“Cinema por escrito. Crítica de filmes em A União “,de Antônio Barreto Neto - período entre 1964 a 1980 - organização de Silvio Osias, chegou em boa hora porque o seu autor, talvez seja o mais completo de todos. Esse paraibano, que se vivo fosse estaria com 72 anos, a exemplo dos demais, brilhou em algo muito específico: a crítica de cinema para jornal. A crítica para jornal é um gênero híbrido, uma coalizão de ensaísmo com crônica. Clareza e talento para síntese são dois pontos altos nas críticas de Barreto. Percorra as 184 páginas do seu “Cinema por Escrito” e você observará que o conteúdo dos seus artigos embute o que a fina flor da inteligência do ensaísmo cinematográfico seguia discutindo. Leia “A busca de formas de expressões próprias para um cinema do Terceiro Mundo” e  você encontrará o que Sylvie Pierre publicava sobre Glauber Rocha nos “Cahiers du Cinema”: o radicalismo da sua originalidade, a subversão do código linguístico, seu discurso transgressor, seu universo aparentemente caótico, mas extremamente lúcido, sua antinarrativa demolidora e tangencial.
Evidente que a facilidade para a síntese é só uma parte do serviço. Sensibilidade, distinto leitor, sabemos que é bom e que Deus e o Diabo gostam. Determinados pontos anotados no comentário sobre “Laranja Mecânica” coincidem com a linha de argumentação adotada por Martin Scorsese para exprimir a grandeza de Kubrick no seu prefácio ao livro de Michel Ciment a respeito do realizador de um dos filmes mais bem dirigidos da história do cinema: “O Iluminado”, um tributo à Hitchcock, que seguramente, transcende às limitações intelectuais do mestre do suspense.
Outro aspecto que salta aos olhos no livro de Barreto é que mesmo sendo uma obrigação, o “escrever bem” para ele, revela uma pena movida pela paixão. Suas colocações primam por foco certeiro, a embocadura inteligente na discussão de sutilezas da linguagem do cinema. Aprecio, especialmente, sua tirada quando registra que há artistas que estão além de modismos estilísticos e que os anos podem descer a ladeira porque o seu poderio permanece catártico. Barreto Neto reflete sobre o sentido trágico da vida; sobre a fatalidade ilusória da arte posta a nu por Ingmar Bergman; a impiedosa desmistificação do olhar de Sam Peckinpah; a sordidez dos “arranjos” do capitalismo a propósito de “Movidos pelo Ódio” e “The Arrangement” de Elia Kazan; a profundidade da consciência social em Visconti - são inspirados seus artigos sobre “Rocco” e sobre “Deuses Malditos”. Mas é quando fala de Frank Capra que a sua sensibilidade sobe de tom. Matreiramente, destrói aquela versão de que Capra produzia um cineminha escapista. Ignorando maniqueísmos diluidores, ele atribui ao diretor de “Dama por um dia”, um “escapismo de Capra”, pois, como argumenta: ” o velho Frank possui o segredo da ternura”.
Há muitas outras coisas boas no livro. Como não se emocionar por seu entusiasmo por John Ford e Akira Kurosawa ou o riso e o entalo na garganta do lirismo cômico e patético de Charles Chaplin ou ainda o fascínio por Luis Buñuel, um ateu em transe perante o mistério de Deus? Ligadíssimo, Barreto deteve-se sobre o pós-moderno, inquirindo acerca do fim do cinema no mundo do futuro. Falecido em 2000, ele não acompanhou o avanço da ciência na facilitação da vida. Certamente, Barretão vibraria com o http://worldcinemafoundation.net - uma porção de clássicos restaurados, gratuitamente, na sua casa, ao simples digitar de meia dúzia de teclas. Se piorou por um lado - a quantidade de filmes ruins nunca foi tão grande - melhorou por outro. E ei-la aí, a sétima arte, a todo vapor.
“Cinema por Escrito” é uma preciosidade impressa em jornal. Sem dúvida, um luxo para a Parayba ter Barreto no comando da banda cinematográfica. E lá vai ele, firme, batuta em punho, a citar Glauber: “bem-aventurados os loucos, porque eles herdarão a razão”. (Márcio Cortez,  Tribuna do Norte em 28 de Julho de 2010).

Tags:


Clint Eastwood - 80 anos / Newton Ramalho

10 de Junho de 2010


Completar oitenta anos de idade não é incomum, principalmente nos dias atuais, onde cada dia aumenta a expectativa de vida das pessoas. Mas, quando a pessoa chega aos oitenta anos ainda ativo, mantendo uma carreira brilhante e bem sucedida, é motivo de admiração, como é o caso do premiado ator, produtor e diretor Clint Eastwood (foto), que soprou as oitenta velinhas nesta segunda-feira, 31.
As novíssimas gerações só conhecem o ator por seus últimos trabalhos em ―Menina de Ouro e ―Gran Torino, mas, este charmoso senhor de voz rouca já tem nada menos de cinco décadas de atividade no cinema, já ganhou vezes o Oscar — duas cada como Melhor Diretor e de Melhor Filme, recebeu, em 1995, o prêmio Memorial Irving G. Thalberg em reconhecimento à sua longa carreira no cinema, e por duas vezes foi eleito o ator favorito dos americanos.
Clinton Eastwood Jr nasceu em São Francisco, em 1930, filho de um metalúrgico. Na infância, como tantas outras famílias, viveu sem lugar fixo, devido à dificuldade de emprego em virtude da Grande Depressão. O acaso evitou que o jovem Clint fosse para a Guerra da Coréia. Convocado para o exército em 1950, seu avião caiu em São Francisco. Ele escapou gravemente ferido, e ficou muito tempo se recuperando e prestando depoimentos para a investigação da causa do acidente.
Sua carreira como ator começou tarde, com breves aparições em filmes pequenos. Em 1959, Eastwood se dedicou somente a trabalhar na TV com a série de western Rawhide, na qual interpretava o personagem Rowdy Yates.
A grande virada na carreira de Eastwood aconteceu após interpretar o misterioso Homem sem nome na ―Trilogia dos Dólares, do diretor italiano Sergio Leone. Os filmes ―Por um Punhado de Dólares (1964), ―Por uns Dólares a Mais (1965), e ―Três Homens em Conflito (1966) fizeram um enorme sucesso, difundindo o gênero do western spaghetti, e tornando Eastwood mundialmente famoso.
Nos anos 70, Eastwood ainda faria diversos filmes de faroeste, mas, a sua primeira experiência como diretor, em ― Perversa Paixão, sobre um homem perseguido por uma psicótica com quem passara uma noite, e, a série de filmes Dirty Harry, mais uma vez levaram o ator às alturas. O mal humorado e agressivo policial apareceu em ―Perseguidor Implacável (1971), ―Magnun 44 (1973), ―Sem Medo da Morte (1976), ―Impacto Fulminante (1983) e ―Dirty Harry na Lista Negra (1988).
No início dos anos 90, Eastwood dirigiu e estrelou seu último faroeste, ―Os Imperdoáveis, onde vive um pistoleiro aposentado, que é aliciado a fazer um último trabalho. O filme contou com os atores Gene Hackman, Morgan Freeman e Richard Harris.
Após um imenso sucesso de bilheteria, o filme foi indicado para nove Oscars e ganhou quatro,, incluindo as de Melhor Filme e Melhor Diretor.
Outro filme notável, dessa fase, foi ―As Pontes de Madison, romance baseado no livro de Robert James Waller, que mereceu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz para Meryl Streep.
Ao contrário de outras estrelas, que renegam a maturidade, Clint Eastwood não apenas a assumiu, como fez diversos filmes sobre o choque de gerações. Um é o divertido ―Cowboys do Espaço‖, onde ele e mais três astronautas veteranos (Tommy Lee Jones, James Garner e Donald Sutherland) são enviados para corrigir um problema em um satélite.
Em 2004, dirigiu e atuou em ― Menina de Ouro, sobre um velho treinador de boxe que prepara uma pugilista. O filme ganhou os Oscars de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Hilary Swank) e Melhor Ator Coadjuvante (Morgan Freeman). Clint fez outros filmes sobre temas sensíveis, como ―A Troca, com Angelina Jolie, ―Sobre Meninos e
Lobos, com Tim Robbins e Sean Penn, e a dupla visão da batalha de Iwo Jima, com ―A Conquista da Honra e ―Cartas de Iwo Jima.
Em 2009, Eastwood estrelou, dirigiu e produziu o drama ―Gran Torino. O filme, lançado em janeiro de 2009, arrecadou mais de 30 milhões de dólares na primeira semana de exibição nos Estados Unidos, fazendo de Clint o ator mais velho a conseguir um primeiro lugar em bilheterias. O filme, considerado o maior sucesso comercial da carreira de Eastwood, arrecadou mais de 148 milhões até junho de 2009.
No filme, Eastwood vive um veterano da Guerra da Coréia, viúvo e sem manter uma boa relação com os filhos, que se vê cercado por vizinhos asiáticos. A forçada convivência com um jovem imigrante o leva a rever sua vida sobre uma nova ótica, numa interessante reversão de valores.
Seu trabalho mais recente como diretor foi ―Invictus, onde Morgan Freeman vive o líder Nelson Mandela durante a delicada fase de reconstrução da África do Sul pós apartheid. O filme mereceu duas indicações ao Oscar, de Melhor Ator (Freeman) e Melhor Ator Coadjuvante (Matt Damon).
No segundo semestre deste ano, Eastwood lança mais uma produção, ―Hereafter (ainda sem título no Brasil).
Também está em fase de pré-produção com o longa ―Hoover, previsto para ser lançado em 2012. (Artigo de Newton Ramalho - postado na Coluna Claquete de 04 de junho de 2010)

Tags:


Garibaldi – duas datas

8 de Junho de 2010


Sou um espectador de filmes. Vejo os acontecimentos cotidianos como se fosse um filme, e, às vezes, a espetaculosidade da realidade assemelha-se à ficção cinematográfica. Pela quantidade de celebridades e figurantes, a comemoração dos 40 anos de vida pública de Garibaldi(foto) e Henrique teve a dimensão épica de uma produção de Cecil B. DeMille.
De repente, levado pela memória, sai do Centro de Convenções e fui transportado para outro local, outra época, outro acontecimento, no qual Garibaldi também era o protagonista. Voltei para a casa de Garibaldi Alves, em Genipabu, onde, entre familiares, Garibaldi Filho comemorou o seu 40º aniversário.
O palco era a varanda praiana, o clima, fordiano, com Aluízio exercendo na plenitude o papel de líder do clã Alves, Erivan França, fiel escudeiro da corte aluizista, dizia: “Não acredito que Garibaldi tenha feito 40 anos”. Ele havia visto o menino virar rapaz e o rapaz virar homem. Aos olhos dos mais velhos, as mudanças das faixas etárias surpreendem.
Ao contrário de Erivan, eu não acompanhei a evolução física e política de Garibaldi. Mas guardo a imagem dele, ainda menino, ou adolescente com cara de menino, na casa do pai, na rua Trairi, na Cirolândia, perto da casa de meu pai, Clidenor Andrade. Por estar morando no Rio, eu, no registro jornalístico de Woden Madruga, “estava visitando a terrinha”.
Por coincidência, Aluízio estava lá e como sempre era o centro das atenções. Percebi que o menino magrinho, feioso, com óculos de armação de tartaruga, sentado e calado, olhava fixamente para o tio com o olhar da admiração, mais do que isso, com a contemplação da veneração. Notei que fazia um gesto igual ao de Aluízio: passando o dedo sobre o nariz.
Jamais poderia imaginar, duas décadas depois desse encontro que, Garibaldi teria papel decisório na manutenção do Festival de Cinema de Natal como governador, e, nos últimos anos, como senador.
No Centro de Convenções, levantei-me da mesa para ver a entrada triunfal de Garibaldi, e, mais uma vez, constatar o óbvio: o povo gosta dele. Essa afetuosidade está no olhar e no desejo de ser visto por ele, de chegar perto dele, de apertar a mão, de abraçá-lo. De uma forma diferente de outros mitos, Garibaldi também alcançou a dimensão mítica, e, mais do que qualquer outro político, é o eleito do bem querer do povo.

Tags:


O Mestre, o discípulo, o amigo (II)

1 de Junho de 2010


Diante da inesperada frieza de Moniz Vianna (foto) no nosso primeiro encontro na redação do Correio da Manhã, Sebastião Carvalho resolveu não comparecer ao segundo encontro. E assim, sozinho, e ainda mais inseguro, voltei ao templo do jornalismo carioca. Desta vez, porém, e felizmente, a recepção foi diferente.
Cabe esclarecer duas coisas sobre a complexa personalidade de Moniz. Ele ocultava – como vim descobrir posteriormente – a timidez com a rispidez verbal. Daí a origem da desconcertante observação feita quando lhe disse que tinha vindo de Natal para conhecê-lo: “Então eu me transformei em atração turística do Rio de Janeiro?”. A outra era a imprevisibilidade emocional, que na gangorra oscilava alternadamente entre o bom e o mau-humor, tornando-o agressivo ou simpático.
Para minha sorte, o Moniz do outro encontro era o oposto do Moniz do primeiro encontro. A seu convite, voltei outras vezes à redação, e numa delas levou-me ao Museu de Arte Moderna, ainda em fase de conclusão. Lá, ao lado de Niomar Moniz Sodre, contemplando a maquete do MAM, duas celebridades hollywoodianas: o ator Van Heflin e o diretor (Gilda) Charles Vidor.
Também foi neste dia que conheci dois futuros e queridos amigos: Ruy Pereira da Silva e Carlos Fonseca. Ambos estavam organizando um empreendimento que se tornaria histórico: o Festival do Cinema Americano de 1958. Lamentavelmente, não pude assisti-lo, pois estava de férias e tinha de regressar a Natal – mas até hoje guardo recortes da cobertura feita pelo Correio da Manhã.
Em nossa despedida, em fevereiro de 1958, Moniz perguntou-me: “Você não gostaria de ficar no Rio”? Gostar, eu gostaria, mas para mim (na ocasião) era uma impossibilidade. A pergunta indicava que o fruto da amizade fordiana  havia nascido entre o mestre e o discípulo.
Jamais, porém, pude sequer imaginar que um ano e oito meses depois, em setembro de 1959, eu estaria sentado na redação do Correio da Manhã ao lado do Moniz Vianna. E mais: que havia me tornado critico assistente do mais célebre colunista de cinema do Brasil. Não vou dizer que foi fácil a convivência profissional com Moniz. Entretanto, por trás das explosões de seu mau-humor e da rispidez verbal, ocultava-se uma alma gêneros – mas que escrevendo podia ser igualmente impiedosa.
À semelhança do seu ídolo cinematográfico (John Ford), Moniz Vianna era um personagem fordiano. Mais do que isso: era o John Ford entre nós fordianos, e, para mim, foi o John Ford de minha vida no jornalismo cinematográfico.

Tags:


O mestre, o discípulo, o amigo ( I ).

26 de Maio de 2010


Moniz Viana
Moniz Viana

11 de maio. Uma data que se acha perpetuada, na minha memória. Dia do aniversário de Moniz Vianna. Dia para relembrar uma amizade que permaneceu – imutável – durante 50 anos. Como nos flashbacks dos filmes, vejo-me de volta ao ano de 1958.
Ano da minha primeira viagem ao Rio de Janeiro. Voando nas asas da Panair, desci no aeroporto Santos Dumont – pela força do hábito ou por saudosismo, acho o pequeno Santos Dumont mais acolhedor do que o impessoal e agigantado Galeão.
Meu tio-irmão, Djalma Marinho, e sua esposa, Olga, estavam à minha espera. Afável, Djalma perguntou-me: “Quer conhecer o Pão de Açúcar, a estátua de Cristo, Copacabana?”. Não. Eu tinha vindo para conhecer o Moniz Vianna. Se minha resposta deixou o meu tipo perplexo, a sua resposta me causou espanto: ele não sabia onde ficava o Correio da Manhã, nem sabia quem era Moniz Vianna.
Ao chegar a sua casa em Vila Isabel, Tijuca, tive outra surpresa: na mesinha da sala de vi sitas, em vez do Correio da Manhã, vi o Globo. A minha peixão pelo Correio, o jornal dos jornais, que eu comprava diariamente numa banca da Rio Branco, em Natal, não comportava a idéia que Djalma fosse leitor de O Globo.
Flashback de antes de minha ida ao Rio. Foi Sebastião Carvalho, crítico de cinema do Diário de Natal, quem primeiro me falou sobre Moniz Vianna. Numa tarde, enquanto esperava que Sebastião terminasse apressadamente a coluna, me deparei com as críticas recortadas do Correio da Manhã. Eu nunca tinha lido nada sobre cinema que fosse igual a uma crítica de Moniz.
Foi um instante de alumbramento cinematográfico. Passei a compra o CM, a recortar e guardar cuidadosamente a coluna do Moniz. Nunca imaginei que se pudesse ver tantas coisas num filme. E mais: ditas de forma clara e em estilo cativante – dependendo do filme, com fúria ou paixão, pois Moniz era passional em relação ao que gostava ou desgostava.
Em fevereiro de 1958, Sebastião Carvalho estava no Rio tentando abrir uma brecha no concorrido e exigente jornalismo carioca. Foi com ele que fui ao Correio da Manhã. Para minha surpresa, Sebastião ainda não fora conhecer o Moniz, conforme havia prometido ao sair de Natal.
Na Av. Gomes Freire, o primeiro impacto: o nome em letras metálicas do Correio da Manhã no térreo do edificio de seis andares. O segundo, maior ainda: a visão da redação do Correio da Manhã – um andar inteiro, como nos filmes americanos. E, por último, o clímax emocional, ao vislumbrar, lá longe, o vulto de Moniz Vianna. (Valério Andrade - Antigo publicado “O Jornal de Hoje”, em 17.05.2010).

Tags:


Derval Bezerra Marinho.

12 de Março de 2010


Ontem, na Capela de São Judas Tadeu, em Petrópolis, foi celebrada a missa de 30º dia da morte de Derval Bezerra Marinho. Para mim, tem sido difícil aceitar e assimilar que o meu querido tio-irmão não esteja mais entre nós. Permaneço à espera do tempo da resignação. A saudade, que é grande, persiste.

Tags:


Lágrimas de saudade

26 de Fevereiro de 2010


Atento a solicitações, estamos postando na integra o artigo que o jornalista, advogado, ex-deputado federal, Ney Lopes, publicou sobre Lurdinha Guerra, em 09 de novembro de 2008, no Diário de Natal.

Ney Lopes – jornalista, advogado e ex-deputado federal

Quis o destino que na sexta, 31 de outubro, visitasse com Abigail o Santuário de Lourdes, na França. Pelo celular, chegou a trágica notícia. A nossa grande amiga, Lurdinha Guerra, acabara de falecer.

Vem de longe a amizade com Lurdinha. Em todas as eleições em que fui candidato contei com o apoio solidário dela. Sempre acreditamos na valorização da pessoa humana. Considerávamos a política, o exercício de uma vocação, e não esperteza ou oportunismo de aproximação com os necessitados para conseguir o voto na urna. Essa confiança nasceu no “Movimento de Natal”, liderado por D. Eugênio Sales na década de 60. Trabalhamos em equipe e sem remuneração, na criação de sindicatos de trabalhadores rurais, para conscientizar as populações dos princípios da Doutrina Social da Igreja, originários da Encíclica “Rerum Novarum”, de João XXIII e dos ensinamentos do Padre Lebret. Quantos se apresentam hoje como progressistas e nunca tiveram história de vida semelhante?

Alguns – mais conservadores – chamavam-na à época de comunista, assim como todos nós que integrávamos o SAR (Serviço de Assistência Rural), da Arquidiocese de Natal. Por força desse trabalho, o RN foi o único estado do Nordeste, onde não prosperaram as “ligas camponesas”, lideradas pelo revolucionário Francisco Julião.

Ela era pura e idealista. Lembro que logo após a campanha de Ney Jr., em Natal – na qual teve participação decisiva –, conversou comigo e Abigail no ICTA (Instituto Claudionor Telógio de Andrade) – entidade beneficente que nunca recebeu um tostão de dinheiro público – onde prestava serviço voluntário e gratuito. Avaliamos o quadro eleitoral e as dificuldades de uma campanha de vereador – mais difícil do que deputado federal –, em que o voto é garimpado pessoa a pessoa. Analisamos certos momentos da política, onde muitos almejam apenas o retorno material imediato. O espírito público, de amizade e de solidariedade parece desaparecer.

Lurdinha gostava de política. Mas de uma política decente. Aproximava-se das comunidades para conhecer as suas carências. Gastava do próprio bolso, atendendo urgências. Sempre esclarecia que aquilo não era compromisso eleitoral. Exemplo foi a sua presença no Guarapes, bairro de Natal. Identificou, no início deste ano, grupos de jovens que aspiravam melhoria de vida, sobretudo emprego e oportunidades. Criou uma associação, recolheu livros, mesas, cadeiras, inclusive uma TV. Iniciou a projeção de cursos de alfabetização. Tudo doado. O verdadeiro objetivo era a promoção humana. Ao invés de dar o peixe, ensinava a pescar. Esse trabalho, o vereador Ney Jr. pretende dar continuidade, com a criação da Fundação Lurdinha Guerra.

Voltei a Natal, depois do compromisso no Fórum Internacional sobre América Latina, na França. Não pude participar do seu sepultamento. No dia seguinte, em telefonema, os meus filhos testemunharam que, no cemitério, pessoas visivelmente carentes e anônimas choraram copiosamente.

Deus recebeu Lurdinha Guerra na eternidade, como prêmio pela vida honrada que teve, ao lado da família, dos filhos e da sua mãe – Dona Belmira, com mais de 90 anos – a quem prestava total assistência, com zelo e carinho.

No belíssimo Santuário de Lourdes, em frente à gruta onde a Virgem Imaculada da Conceição apareceu à Santa Bernadete, eu e Abigail rezamos e acendemos uma vela em sua memória. Por acaso, o local tem nome de Lourdes. O clima de reflexão e oração fez rolarem, em nossas faces, lágrimas de eterna saudade.

Tags: