Albimar Marinho

6 de Fevereiro de 2010


Albimar Marinho (1925-1966) foi dos últimos representantes de uma família humana, cuja característica inesquecível era certa boemia constante de alegria e humor, farras e fanfarras honestas, vibração patética de superação do cotidiano. Tudo isso banhado de um lirismo inesgotável, vivência e convergência de poesia circular, como se apanha água na fonte, luz nas manhãs de verão, luar perpetuado no chão rendilhado pela sombra de mangueiras.
Boêmio pela graça dos deuses, avançando além da fatuidade das horas, da fugacidade do tempo, e marcando, com os ponteiros de um relógio de surpresas, as horas e os minutos, destinados a boutades, invenções e simulações que tivessem sempre parentesco com a alegria, a descontração e o rumor do riso. Farto e generoso.
Ao lado de Newton Navarro, marcou história; e demarcou caminho para se tornar um personagem de romance, insubstituível, de capa-e-espada, tudo a serviço da então disponibilidade de viver. Foi, como no filme famoso, realmente o último dos moicanos.
Dele, dessa dupla, ficaram na memória de todos nós, que fomos seus amigos, relatos que dão conta de que Albimar foi verdadeiramente um clown chapliniano, capaz de reiventar o cotidiano, descontruí-lo, como ensinam os filósofos modernos. (Trecho do artigo de Sanderson Negreiros, Os Últimos dos Moicanos, Tribuna do Norte, 26/09/2004).

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