Brasil, uma terra de Pasqualinos

6 de Fevereiro de 2010


Pasqualino Sete Belezas é um completo idiota. Ou quase. Com um estômago imenso, é capaz de engolir toda e qualquer verdade que a sociedade apresente. Ele acreditou na Máfia, em Mussolini, ele aceitou tudo aquilo que a autoridade de plantão lhe disse que era o certo. Pasqualino fez tudo que o seu mestre mandou sem jamais discutir. Se ninguém se insinuar sobre suas sete belezas – sete irmãs gordas e sem atrativo – é  possível conseguir dele o quanto se quiser, não importa o que, ele é o triunfo da subserviência. Eu andava meio esquecido deste pequeno canalha, fascista de conveniência, até bem pouco tempo. Afinal, Pasqualino é apenas um filme de Lina Wetmuller, feito aí em meados dos anos setenta. Uma espécie de ópera-cômica onde a diretora destila toda a sua ironia contra um certo tipo de gente que suporta toda e qualquer humilhação apenas para sobreviver. Ou que se deixa enganar, afogada na esperança de que dias melhores virão e que o melhor modo de chegar até eles será ficar na sombra e em silêncio. Aparentemente, segundo dona Wertmuller, este foi o comportamento de muitos italianos no período fascista e depois, muito depois. É bem provável e, cá comigo, fico pensando se Pasqualino não seria o adulto em que se transformou aquele menino, o filho do Roberto Benigni em A Vida é Bela, de quem o pai escondeu os horrores da guerra. (Trecho do artigo do ator José Wilker, Jornal do Brasil, em 02 de março de 1999).

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